2026-09-06

Foi por você.

Não foi por ele. Nem por mim. Foi por você.

Você me fez sofrer.

Me moldou na dor, no silêncio, na dúvida.

Me fez questionar meu valor, meu brilho, minha essência.

Me virou do avesso e ainda teve a audácia de achar que tudo bem.

Fui seu troféu, mas nunca fui seu cuidado.

Fui seu segredo exposto, sua companhia conveniente,

Mas nunca fui prioridade.

E tudo bem…

Na época, eu achei que te amava.

Achei que daria tudo certo.

Achei que você mudaria.

Mas quem mudou fui eu.

Mudança forçada. Na dor, no cansaço, na decepção.

E hoje?

Hoje eu fiquei com seu melhor amigo.

Não por desejo.

Não por carinho.

Muito menos por sentimento.

Fiquei com ele porque sabia que isso ia te doer.

Porque foi a única maneira de devolver, nem que seja um pingo, do que você me fez sentir.

Porque às vezes a única justiça que a gente tem é a dor do outro.

Não foi sobre o beijo, nem sobre a cama.

Foi sobre o gosto amargo da vingança.

Que não cura, mas alivia.





Se doeu em você?

Espero que sim.

Porque em mim… já doeu demais.


verão 26

2026-08-07

Hoje

Hoje, te vi.

Te vi falando, com seus jeitos, suas manias, seus trejeitos… tudo aquilo que só você tem.

Lembrei de quantas vezes adormeci no seu peito ouvindo sua voz. Ou de quando você dormia primeiro e eu ficava apenas ouvindo você respirar, tentado fazer a minha entrar em sintonia com a sua.


Hoje, ouvi sua voz.

E lembrei de tanta coisa que já conversamos, sonhamos e vivemos juntos.

De cada plano maluco que você inventava.

E eu simplesmente respondia:

“Eu topo.”

Sem saber o destino.

Sem perguntar o porquê.

Só porque era para estar com você. 


Hoje, olhei nos seus olhos.

Lembrei de quando você me olhava de perto.

De quando tentava disfarçar alguma coisa.

De quando sorria, sem graça, porque eu percebia que estava me olhando.

E lembrei, principalmente, do brilho nos seus olhos quando eu respondia:

“Eu também.”

Quando você me dizia:

“Eu te amo.”


Hoje, eu te vi.

Ao vivo.

E lembrei de todas as vezes em que imaginávamos como estaríamos no futuro.

Do quanto sonhávamos com o que a vida ainda nos reservava.

Sem imaginar que, já tinha reservado rotas opostas.


Hoje, procurei por mim em você.

Procurei em cada detalhe.

Em cada mão passada pelo cabelo.

Em cada respiro mais profundo.

Quis saber se ainda existe alguma parte de mim aí…

Em você.

Na sua estante.

Na sua decoração.

Ou, quem sabe,

em algum lugar da sua vida.


Hoje, te desejei.

Como sempre desejei.

E espero,

que um dia eu não deseje mais.


Hoje, me escondi de você.

Não quis ser notado.

Entrei anônimo 

Tentei ser apenas mais um.


Hoje, te amei.

Como,

te amei ontem.

Como, 

eu sempre vou te amar.




2026-02-11

Outra Vida


Talvez em outra vida
a gente se reencontre.


Você não vá.
Você não precise cruzar o Atlântico.
Você possa ficar.


Talvez em outra vida
aqueles meses juntos virem nossa história.
Aquelas noites de amor virem rotina.
E as risadas continuem ecoando,
pros vizinhos continuarem reclamando.


Talvez em outra vida
eu pare de tentar te enxergar
em cada pessoa que encontro.

Talvez eu entenda
que um dia eu iria te perder.


Talvez em outra vida
a gente fale sobre o futuro.
Tenha tantos outros shows pra ir,
mantenhamos promessas,
seja nós contra o mundo.


Talvez em outra vida
eu seja seu.


Talvez em outra vida
eu não precise, todos os dias,
contar sua história
e terminar dizendo
que você foi aquele que se foi.


Talvez em outra vida
eu tenha coragem de dizer
o que você sempre significou pra mim.


Talvez em outra vida…
eu faça você ficar.